sobre desejos e medos



"(...) mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é uma quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo. As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor do seu discurso seja secreto, que suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas, e que todas as coisas escondam uma outra coisa."
Ítalo Calvino

sobre os caminhos



"Como muitas pessoas, eu não tenho religião, e estou apenas sentado num barquinho que navega conforme a maré. Vivo nas dúvidas do meu dever.... Penso que há uma dignidade nisso tudo, apenas em continuar trabalhando.... Hoje estamos nus, sem defesa, e mais sozinhos do que em qualquer época na história. Estamos esperando por algo, talvez outro milagre, talvez os Marcianos. Quem sabe?"
Federico Fellini

sobre o objetivo e a transformação


Acredite na transformação...
"(...) como disse Sartre, antes de ser concretizada, uma ideia tem uma estranha semelhança com a utopia. Seja como for, o importante é não reduzir o realismo ao que existe, pois, de outro modo, podemos ficar obrigados a justificar o que existe, por mais injusto ou opressivo que seja". (Boaventura de Souza Santos)

sobre amar


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar, solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amor o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: o amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na conha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesmo de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
CDA

sobre fluxos e a densidade da matéria


Quero colo. E liberdade. Quero sorte, mas me alimento do inseguro. Quero paz, e há paz. Quero foco, porque desfoco. Quero mostrar, mas escondo... Quero estar, e estou demais. Quero ter sem refletir. Quero refletir tendendo a ser. É quase quero tudo e quero nada. É querer não poder. Mas posso, posso...
“Ao caminhante, não há caminho. Faz-se ao caminhar”

sobre o continuar a viver...


A gente sempre precisa de uma dor pra sobreviver?

sobre o destino de amar, como os animais...


Este o nosso destino: o amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesmo de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
CDA